Quanto controle temos sobre nossos dados?

Rastros digitais são criados das mais diversas maneiras, e isso afeta o quanto temos controle que temos sobre eles.

Uma vez que os rastros digitais são criados e transmitidos, eles saem de nosso controle e geralmente vão parar nas mãos de terceiros, onde são armazenados em servidores onde não serão facilmente esquecidos.
Nem todos os rastros digitais são iguais, entretanto. A quantidade de controle que temos sobre um rastro digital depende de como esse rastro foi criado e onde foi armazenado.

 

Seis tipos de dados =  seis níveis de controle

Em seu livro Data and Goliath, Bruce Schneier descreve seis tipos diferentes de dados (rastros digitais), baseado nas diferentes maneiras em que eles são criados. Olhar para isso com mais detalhe pode nos ajudar a entender quais rastros conseguimos controlar e quais estão fora de nosso alcance.
 

DADOS DE SERVIÇO são informações que você fornece para receber um serviço. Dados de Serviço podem incluir seu nome completo, idade, país em que mora e o número de seu cartão de crédito.
Por exemplo, para comprar um cartão SIM para seu telefone celular, você precisa fornecer para a empresa de telefonia celular seu documento oficial (CPF, RG, Passaporte…) e os dados da sua conta bancária.
 

DADOS DIVULGADOS são conteúdos como fotos, emails, mensagens e comentários que  postamos em uma página da internet que nós mesmos gerenciamos. Podemos decidir o que é compartilhado e por quanto tempo; assim como quem tem acesso à essa página e ao seu conteúdo.
 

DADOS CONFIADOS são dados que postamos em uma plataforma que não temos controle. E assim, outra pessoa pode decidir o que acontece com esses dados.

Por exemplo, nos não controlamos as plataformas comerciais como Facebook e Twitter, ainda que milhões de pessoas postem conteúdo nelas. Nós podemos decidir se postamos algo nessas plataformas ou não, mas não podemos controlar o que as empresas fazem com nossos dados.


DADOS ACIDENTAIS são dados sobre a gente, mas que foram compartilhados por outras pessoas. Por exemplo quando uma pessoa é marcada em uma foto no Facebook, mencionada em um tweet ou quotada em um blog ou artigo. Não foram elas que criaram essas informações e também não controlam as plataformas em que elas foram postadas.

Nota: dados acidentais também podem ser compartilhados por outras pessoas sem elas terem percebido. Por exemplo, um amigo ou uma amiga pode ter permitido que o Whatsapp (propriedade do Facebook) ou Google Maps (propriedade do Google) acesse a agenda de seu telefone, onde lá está o seu nome, número de telefone e email.
 

DADOS COMPORTAMENTAIS são criados quando interagimos com nosso computador ou telefone celular. Esse tipo de informação dá uma visão do que fazemos, com quem fazemos, com que frequência e onde. A partir do momento em que você liga o seu telefone celular, ele começa a criar rastros digitais sobre você. Onde você está, com quem  você está falando, quando e por quanto tempo, para onde vai e até mesmo a que horas você acorda e vai dormir. Leia mais sobre rastreamento de telefone celular aqui.
 

DADOS DERIVADOS são informações sobre nós que foram deduzidas a partir de outros dados. Empresas corretoras de dados criam perfis de grupo com base em características comuns, baseadas em redes sociais, dados de localização e/ou comportamento de navegação. Nossos perfis individuais podem ser ligados a um ou mais perfis de grupo, atribuindo as características do grupo (rastros de dados) a nós. Nós não temos nenhum controle sobre qual perfil de grupo pertencemos, nem mesmo sobre os rastros de dados que são criados.

Por exemplo: vamos usar uma personagem fictícia aqui, Renata. Renata mora no Rio de Janeiro e passa a maior parte dos dias da semana estudando na Universidade Federal. Seu celular identifica a sua localização. Na sexta e sábado à noite, porém, seu telefone manda sua localização lá da região de Santa Tereza até mais ou menos às quatro da manhã, antes de retornar à localização onde ela normalmente “dorme” (A casa de Renata fica na Rua Bento Lisboa). Uma empresa corretora de dados sabe que muitas pessoas que estudam na Universidade Federal e saem em Santa Teresa também buscam por receitas vegetarianas e pelo mais recente show de rock. Baseada nos movimentos de Renata, a empresa decide que ela se encaixa no perfil desse grupo e marca ela como uma vegetariana fã de rock.
 

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